
LANÇADO O LIVRO O FILME MUSICAL
O FILME MUSICAL
O Instituto Triangulino de Cultura, sediado em Uberaba, acaba de lançar o livro O Filme Musical, de Guido Bilharinho, oitavo título da coleção “Ensaios de Crítica Cinematográfica” que publica desde 1999, num dos maiores empreendimentos editoriais do gênero no país. Composto de 50 (cinqüenta) artigos críticos distribuídos cronologicamente de acordo com o ano de lançamento dos filmes comentados, a obra focaliza desde a primeira película falada, O Cantor de Jazz, de 1927, até o mais recente Dançando no Escuro, de 2000, abarcando nesse itinerário alguns dos principais filmes musicais realizados no período, notadamente oriundos dos Estados Unidos, onde esse gênero cinematográfico mais floresceu.
Procura-se exprimir nesses ensaios os parâmetros e diretrizes emanados dos filmes comentados, destacando entre eles os que se projetam para além das limitações e condicionantes da indiferença contemporânea para inserir-se num fluxo contínuo e permanente, apanágio da arte e de sua fruição. Complementam a obra, à semelhança dos demais títulos da coleção, duas dezenas de ilustrações em papel couchê (diversas em cores), fichas técnicas dos filmes comentados, índices onomásticos e índices dos filmes conforme direção, títulos originais e relação dos considerados mais significativos. Seguem-se, na íntegra, a nota preliminar do livro e o sumário da matéria publicada.
O FILME MUSICAL - NOTA PRELIMINAR
Ao contrário do que se julga e se propala, o filme musical estadunidense não acabou. Transformou-se e aprofundou-se tematicamente ao influxo dos novos tempos. O que se encerrou foi sua fase romântica e alegre, na qual a ênfase, o meio e o modo concentravam-se e destinavam-se ao descontraído desfrute do prazer musical e coreográfico, constituindo a trama apenas veículo e suporte da finalidade proposta. Além disso, nos anos de 1930 refletiu o entusiasmo pela conquista do som, caracterizando-se pelo feerismo, euforia e descontração. A conotação romântica, contudo, não foi apanágio apenas do musical, mas, nele, mais que em outros gêneros, percorreu incólume duas épocas díspares da história dos Estados Unidos, exercendo (e exercitando), no entanto, contraditoriamente, idêntica função. Se a década de 30 no país foi inicialmente marcada pelas conseqüências econômicas e financeiras da dramática queda da bolsa de valores em 1929, os anos 40, não obstante a guerra (e até por isso, pelo que representou de galvanização da energia do país), singularizaram-se pelo otimismo advindo dos êxitos da política econômica implementada pelo governo Roosevelt (New-Deal), pelo desenvolvimento industrial, a vitória na guerra e a ascensão do país ao primeiro plano da economia e da política mundial. O romantismo e a idealização fílmica desse período que impregnaram o gênero musical estenderam-se até fins da década de 1950. Nos anos 30 funcionaram como escapismo à deprimente situação econômica, valendo de contraponto e derivativo ao que continha de momentaneamente amargo. Nos anos seguintes, em situação oposta, serviram-lhe de reflexo e direta representação na tela.
Todavia, a dinâmica histórica (econômica, social, financeira e política) produziu alterações que conduziram o país aos impasses da Guerra do Vietnã, ao assassínio de Kennedy, ao desgaste do governo Nixon culminado com sua renúncia e, finalmente, à inicialmente inimaginável e humilhante derrota no Vietnã, levando à decepção e ao desencanto, mas, despertando a sociedade da anestesia e paralisação em que se comprazia e insuflando consciência crítica em alguns de seus setores.
O filme musical dessa época repercutiu o ambiente adverso e angustiante, assumindo, daí em diante, seu conteúdo social e intelectual, espelhando-o na desilusão e frustração que o caracterizaram, propiciadoras no entanto, da descoberta dos limites que a realidade impôs ao país, como, aliás, sempre impõe, como a invasão e ocupação do Iraque estão a demonstrar.
O fim das ilusões da crença na onipotência e no progresso ininterrupto e ilimitado refletiu-se no musical de maneira positiva, injetando-lhe responsabilidade e seriedade na concepção temática, não mais agasalhando e viabilizando roteiros ridículos e artificiosos.
Conquanto alguns bons filmes musicais desse período não puderam ser revistos para a confecção desta obra, nota-se, no índice classificatório dos melhores filmes que a acompanha, que a década de 1980, quando muitos consideravam o gênero acabado ou pelo menos decadente, detém o maior número deles.
À evidência que, quantitativamente, após 1960, tanto o musical quanto o western tiveram considerável decréscimo de produção, sem prejuízo, no entanto, no caso do primeiro, de persistência, depuração e qualificação.
Por sua vez, o presente livro procura exprimir os parâmetros e diretrizes emanados dos filmes comentados - a maioria absoluta realizada nos Estados Unidos - destacando, entre eles, os que se projetam para além das limitações e condicionantes da indiferença contemporânea para inserir-se num fluxo cultural contínuo e permanente, apanágio da arte e de sua fruição.
O FILME MUSICAL - SUMÁRIO DO LIVRO