17.9.08
EFIGENIA COUTINHO

Escuridão pela Vida
Efigênia Coutinho
As trevas são repousos da Luz,
pulsam com rítmica alternativa.
Trevas e silêncios são irmãos,
como irmãos são o som e a Luz.
Trevas rumorosas, e luzes cheias
de silêncio são quase sempre
notas discordantes na vida do
homem e da majestosa natureza.
A Luz de semanas e de meses,as
longuíssimas noites das regiões
polares, cansam os homens. Porque ele
vive numa pulsação de dores e prazeres!
A noite é tão harmoniosa como o dia,
porque é a sua sombra e o seu repouso!
E sob essa gigante sombra, se abrigam
pensamentos, cansados, envoltos num véu!
Quando os olhos estão abertos, e, contudo,
não vêem, em sua volta, adensam-se trevas
negras, como a morte, frias como uma geleira;
pois que a obscuridade vem sempre fria…
Todo o mundo se fecha para o homem
que não quer ver, e para ele se calam
os martelos do seu trabalho, até os cantos
das aves , a festa das cores e flores!…
As figuras, as formas, os movimentos
não existem já para nós; para nós, que
ainda somos vivos, mas vivemos num
mundo, que para nós está na escuridão!
Os olhos aguçam-se, procuram o horizonte,
mas não o encontram, e a nossa alma, que
os incita e os dilata para que encontrem,
quanto mais não seja, a sombra duma coisa!
Ficamos amedrontados, e se sente o vácuo
inexorável do Infinito. Tudo some em torno
de nós. Apenas um nós sem membros, para
que nem a nós mesmos possamos sequer ver!
Depois do fim de todas as criaturas do céu
e da terra, também nós nos estamos talvez
dissolvendo no caos do nada, algo que se
assemelha ao que precedeu Fiat lux de Jeová!
Assim sucede com o Futuro, quando nenhum
projeto ardente aquece, ou nenhuma Esperança!
Porque, se uma pitada de sal, adoça mais o mel,
uma pitada de alegria torna mais Feliz a Felicidade!
Balneário Camboriú
Setembro 2008
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